domingo, 21 de maio de 2017

Insônia

Esta noite eu não durmo.
Prefiro não dormir.
É tão angustiante deitar a cabeça no travesseiro e logo adormecer.
Consciência leve?... Ou vazia...
Não, hoje eu não durmo.
Hoje eu me deleito nos meus pensamentos turbulentos, profusos, inconstantes...
Entro em êxtase, no meio da madrugada, deitada na minha cama.
Não quero dormir, não quero deixar de pensar, não quero deixar de sentir.
As palavras vão me seduzindo e eu vou aliciando os pensamentos, se torna algo perturbador de certa forma, são tantos pensamentos... Porém, é tão prazeroso.
É tão prazeroso sentir demais, pensar demais, duvidar demais, questionar demais, acreditar demais, amar demais, é tão prazeroso... Se sentir viva.
E então, na madrugada, estou deitada em minha cama, enquanto minha mente está transcendendo o meu quarto, a minha rua, a minha existência física...
Sempre tenho vontade de me levantar, nem me trocar, simplemente abrir a porta e sair. Sair para onde meus pés, minha mente, meus sonhos, meus ideais me guiarem. Sentir a dor em se viver, o medo, as dificuldades, as lutas, os amores, as certezas, as inverdades, os prazeres, as liberdades...
Simplesmente sair... mas me sinto presa ao meu corpo.
Dentro da minha mente é como se eu fosse irrefreável, nada me segurasse, um apetite voraz pela vida, pela emoção, pela luta. Mente selvagem, incansável. Porém meu corpo... Quando chego nele, é como se estivesse presa a ele, minha essência, minha mente estão presas a eles, como se elas não pudessem ir além dele... Impotência. Consigo sentir, consigo pensar, não consigo fazer...
Enquanto minha mente tramita as ideias mais remotas da existência, meu corpo lasso permanece inerte.
Já me disseram que tenho olhos inquietos. É como se pudesses me ver sentada, no meu canto, soturna, porém, se olhares para os meus olhos verás neles a inquietude da minha mente, mesmo quando permaneço calada. Enquanto estou quieta, olhando, observando, não sinto tanto a serenidade, bom, às vezes até gosto dela, aprecio-a, ela me conforta... Mas eu gosto mesmo é do êxtase, é de virar a noite de tanto ponderar sobre as coisas. De tanto esmiuçar meus sentimentos. De tanto tentar sentir a minha existência.
Esta noite eu não durmo.
Não quero descansar minha mente quando o que ela mais quer é estar desperta, e não apenas fisicamente desperta.

0 comentários:

Postar um comentário